“El Orfanato”, de Juan Antonio Bayona – Opinião

“1, 2, 3, toca la pared”

 

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“El Orfanato” era dos filmes mais aguardados nesta edição do Fantasporto. O reconhecimento mundial de Guillermo del Toro, com o Labirinto de Fauno – que foi o grande vencedor no Fantas do ano passado – transformou o seu nome em epígrafe. De cineasta passou a produtor requisitado. Em “El Orfanato”, a primeira coisa que aparece na tela é justamente a “marca”: Guillermo Del Toro apresenta”. A curiosidade em relação a este filme estava, assim, aguçada.

Este filme conta a história de Laura, uma mulher que decide voltar a viver na casa que servia de orfanato, onde cresceu até aos 7 anos. Na verdade, o seu plano é reabrir o lugar, hoje abandonado. Juntamente com o marido Carlos e o filho Simon, Laura pretende criar, naquele sítio, uma instituição voltada ao atendimento de crianças com necessidades especiais. Numa última análise, o filme pode explorar os medos da infância.

O director estreante, Juan Antonio Bayona, conduz a história em ritmo razoável, embora com muitos clichés. Só são mesmo acima da média o desempenho de Belén Rueda, na pele de uma mãe disposta a tudo para encontrar o filho, e a fotografia de Oscar Faura, traduzindo em nuances a ambiguidade da história.

Esta longa-metragem é um exercício de suspense que poderia ecoar as histórias de fantasmas de Henry James. Nos corredores sinistros dum casarão, obsessão materna e sustos caminham juntos. De destacar que Belén Rueda, que interpreta Laura, foi distinguida com o Prémio de Melhor Actriz na secção de cinema fantástico. Com atenção a detalhes na composição de cenas assustadoras, o director Juan Antonio Bayona faz uma estreia admirável. O cineasta reforça a nova onda do jovem cinema espanhol: devagar com as cores vibrantes à Almodóvar e enfático no sombrio. Na tela, a inexperiência da equipa não transparece – “El Orfanato” é uma longa-metragem bastante profissional.

No entanto, são usadas e abusadas as convenções do género. Há situações que têm sido repetidas em vários filmes: o retorno à casa assombrada, o filho que vê fantasmas, os “macabros” desenhos infantis, o menino mascarado, o baloiço a girar sem ninguém, o marido céptico que desiste das crenças da mulher, enfim. Não há grande inovação nem originalidade, mas há momentos muito bem trabalhados que superam o que está em falta: o atropelamento de um personagem (sem cair em spoiler) é um caso emblemático. Só vendo.


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