“The Lovebirds”, de Bruno de Almeida – Opinião

Nem os passarinhos o amariam…

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“The Lovebirds”, de Bruno de Almeida, é surpreendentemente… mau. Arriscar-me-ia a dizer que foi o pior filme que vi em duas semanas, no Fantasporto, e é, no mínimo, vergonhoso ter ido a concurso na secção Semana dos Realizadores.

O filme começa logo mal, com o mau enquadramento da gaivota que voa. No resto do filme a total ausência de qualidade perdura. A fotografia é péssima e na iluminação não há meio-termo. Em “Lovebirds” predomina aliás a ausência de iluminação; no entanto, na última cena de Michael Imperioli e Ana Padrão, a iluminação surge em excesso, ficando com um ar artificial.

“Mosaico de histórias numa Lisboa filmada com raro encanto” – será que vimos o mesmo filme? Há zooms abruptos, enquadramentos incompreensíveis, falta de tripé por várias vezes (se foi por opção ainda pior), o argumento é paupérrimo, os diálogos são terríveis, não há coerência narrativa e as histórias não se conseguem relacionar. Mas não nos fiquemos por aqui: nem a edição e a montagem do filme escapam. Os cortes não são naturais, há um granulado insuportável na maior parte dos planos… Para além disso, o aparato da participação de actores como John Ventimiglia, Michael Imperioli, Joaquim de Almeida, Drena de Niro e até de Fernando Lopes e de Joe Berardo não são mais que fogo de artifício. Não há boas interpretações neste filme. Com um argumento daqueles também seria difícil, admita-se.

“The Lovebirds” mais parece um manual de tudo o que não se deve fazer num filme. Mas, caros leitores, não sintam pena da equipa por não os poupar em críticas, porque foi distinguido com o Prémio Especial do Júri no Fantasporto (vá-se lá saber porquê…).


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